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Mundo
Estranho
1o. Capítulo
Acordei ao meio da noite, tudo
estava escuro à minha volta, olhei para os lados e parecia não
reconhecer o ambiente; caminhei procurando enxergar alguma coisa
familiar.
Estava ansioso por
entender a situação, confuso com tanta escuridão. Tateava com os braços estendidos e com as palmas da mãos, como se
estivesse me protegendo, com os dedos totalmente abertos.

Um pouco de
claridade de repente se apresentava, mas não era ainda suficiente
para que eu identificasse aquele ambiente.
Mesmo assim, mais aliviado,
continuei a caminhar e buscar uma saída, ou mesmo, um local que
pudesse reconhecer.
Apenas ouvia um ruído de
máquina, contínuo, giratório, mas não sabia de onde vinha, era
um som de algo mecânico, um motor ou um ventilador, não conseguia
relacionar coisa alguma, pois me sentia muito atordoado com o que estava
acontecendo.
Tenho que confessar que tive
medo, medo de não ter reconhecido nada; minhas mãos
suavam, meu coração palpitava intensamente, passei alguns calafrios
enquanto caminhava.
Um certo desespero tomava
conta de mim.
Comecei a visualizar algo que
me parecia ser ruas, caminhos, um piso metálico com vários furos
irregulares, como se fossem grades, ou grelhas. Percebia que pisava
sobre uma superfície sólida, talvez metálica, não sabia ao
certo. Estava ainda muito escuro.
Mesmo assim continuei
caminhando. Tive a impressão de estar num galpão de uma velha
fábrica, quando toquei em alguns cabos e fios.
Agora, cada vez mais,
percebia que eu não poderia ter acordado de um sonho, pois, aos poucos,
ouvia um som de motor ou coisa parecida. Com grande dificuldade
começava a enxergar e apalpava tudo à minha volta.
Lembro-me de ter experimentado
uma sensação de conforto e esperança, em meio à tanta confusão e
escuridão.
Aquele som poderia
apontar-me um
caminho, se não fosse um ruído oco, parecendo mais um eco e se
difundia pelo ambiente. Preferi a luz!
Continuei caminhando, buscando
uma saída naquele ambiente desconhecido. Uma claridade, lá ao longe,
me fez suspirar de alegria, aumentei os meus passos com mais
segurança. Era um caminho e uma direção a seguir. Que alívio!
Apressei-me.
Andando mais depressa e
confiante, conseguia ver cada vez mais naquela escuridão: quem sabe
um galpão de uma fábrica ou mesmo um grande depósito?
Aos tropeços,
cai várias vezes sobre equipamentos, peças que não
reconhecia, mas tamanha era a minha inquietude e esperança em
encontrar uma saída que, com passos largos, me dirigia em direção
à claridade!
Após alguns momentos que nem
sei precisar, pois diante de tanto espanto e medo, não podia contar
o tempo, apenas queria sair dali, aquela claridade começou a
aumentar e também a minha esperança! Em meios a cabos, peças e a um
piso que me parecia disforme, como se fosse uma grande grade,
aumentei as minhas passadas com certa confiança!
Naquele momento tudo me
pareceu mais objetivo. Via, encorajado, aquela luz que tanto
persegui. Era a minha única saída, não poderia ter feito e nem
desejado outra coisa, senão buscar aquela claridade bendita!
A claridade era
estonteante! Cada vez mais claro, minha vista estava embaraçada, pois eu havia
estado em absoluta escuridão.
Eu precisava de um tempo para me acostumar...
precisei pôr as mãos diante dos olhos para tentar entender o
que eu tinha em frente!
Dei
mais alguns passos e diante de tanta claridade, com meus olhos já costumados, reconheci
realmente algo familiar: era uma grande janela de vidro,
com uma intensa luz do outro lado.
Com as mãos,
apoiei-me naquele
vidro hermeticamente fechado, procurando ver o que poderia existir além.
Encostei
àquela janela a
ponto da minha respiração embaçar o vidro transparente com luz tão almejada por
mim; procurei afastar-me um pouco para não
perder a visibilidade naquele momento e finalmente encontrei algo
para ver.
Ao invés de tranqüilidade e
calma, meu coração começou a palpitar mais ainda, uma sensação
de espanto tomou conta de mim, minhas mãos suavam cada vez mais. Eu estava reconhecendo aquele ambiente e tudo o que havia do
outro lado daquela imensa janela.
Uma mistura de medo e ao mesmo
tempo de alívio, era como se eu estivesse encontrado o que tanto
procurava.
Através daquela janela, pude
ver, com clareza: era a minha sala, os meus objetos! Pasmo, reconheci aquele corpo sobre a mesa, debruçado sobre o
teclado de um computador. Algo deveria ter acontecido, pois aquele
corpo era o meu! Eu estava diante do meu próprio corpo morto, sem
vida, na minha sala, diante daquela janela.
-Agora compreendo tudo!
- resmunguei em voz baixa para mim mesmo!
A grande janela era o monitor
do meu computador, meu espírito estava preso àquela máquina, e eu
observava o corpo estendido do lado de fora, naquele mundo estranho
que já não mais me pertencia!

Um sentimento de perda e ao mesmo
tempo de desamparo tomara conta de mim. Fiquei profundamente abalado
com aquela cena irremediável!
Estava só, tentando pôr os pensamentos em ordem. Aguardei ansioso e
desesperado que algo acontecesse a partir daquele momento
terrível!
Segue no 2º Capítulo...
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